Júlia Cavalcante O trajeto do aeroporto até o hotel foi um exercício de confusão mental para mim. Eu estava sentada no banco traseiro do carro blindado, sentindo o aquecimento do veículo lutar contra o gelo que vinha das ruas de Genebra, mas o meu verdadeiro desconforto vinha do homem ao meu lado. Lian Bianchi estava estranho. Não era a frieza cortante de sempre, nem o olhar predatório que me despia ou o tom autoritário que me chicoteava com ordens. Ele estava... vigilante. No avião, ele me cobriu enquanto eu dormia. Ele preparou um chá. E agora, no carro, ele não abriu o laptop uma única vez. Seus olhos não estavam nos gráficos da bolsa, mas em mim, monitorando cada vez que eu respirava fundo ou mudava de posição. — Está com frio, Júlia? — ele perguntou, a voz soando suave demais para o ambiente hostil que costumávamos compartilhar. — Estou bem, Sr. Bianchi. O aquecimento está ótimo — respondi, tentando manter a distância, mas ele se inclinou e, sem pedir licença, ajustou
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