A luz da manhã entrava pelas frestas da cortina da suíte nupcial com uma claridade agressiva, ferindo os olhos de Peter, que ainda pulsavam sob o efeito residual das "balas" azuis. Ele parou diante da porta de seu quarto, ajeitando a camisa amarrotada e tentando exalar uma sobriedade que não possuía. Em sua mente, ele apenas entraria, tomaria um banho rápido e fingiria que acabara de acordar. - É simples Peter... vamos lá! Mas, ao girar a maçaneta, o silêncio que encontrou não era o de um quarto adormecido. Era o silêncio pesado de um tribunal. Clarice estava sentada, os olhos inchados de tanto chorar. Ao redor dela, como sentinelas da moralidade, estavam George e Elena Harrison, e os pais de Clarice, os Vargas, cujas expressões oscilavam entre o nojo e a fúria contida. Sobre a mesa de centro, um tablet exibia a página de um portal de fofocas de alta sociedade. A manchete brilhava em letras garrafais, "O HERDEIRO DAS SOMBRAS: Peter Harrison flagrado em clima de luxúria em plen
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