DanteA voz dela, suave e curiosa, mexia comigo de um jeito que eu não queria admitir. Emma me olhava com aqueles olhos castanhos, grandes e expressivos, como se pudesse ver além da Fera, além do Don, até o garoto que eu fora um dia. Minha mão continuava nas costas dela, sentindo a curva suave da sua coluna, a pele quente sob meus dedos. Eu não queria falar do passado, não queria desenterrar as sombras, mas ela perguntava com uma sinceridade que me desarmava.Depois da morte do meu pai, tudo foi um caos. Eu tinha quinze anos, mal sabia quem eu era, mas precisei me tornar o Don. Meu tio, Franco, queria o controle, achava que eu era jovem demais, fraco demais. Ele nunca disse abertamente, mas eu via nos olhos dele, no jeito como falava com os outros capos, como se estivesse reunindo apoio. O consigliere, Giovanni, pai do Marco, foi quem me defendeu. Disse que o sangue dos Moretti corria em mim, que eu era o herdeiro. Mas não foi só por lealdade. Giovanni sabia que, se Franco tomasse o p
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