Nem toda ausência faz barulhoSERENA ARAGÃOMeu corpo ainda estava quente.Não de febre, nem de cansaço. Era outra coisa. Uma espécie de eco. Como se o que tinha acontecido não tivesse terminado junto com o toque, com a respiração voltando ao normal, com o silêncio se acomodando no quarto.Eu estava deitada de barriga para cima, sentindo o coração bater num ritmo estranho, não acelerado, mas atento. Como se eu tivesse sido acordada por dentro.Eu não me sentia vazia, me sentia… mulher.Inteira, e isso era perigoso.Eu virei devagar, sem fazer barulho, e olhei para ele. Caetano estava olhando para o teto, o lençol cobrindo parte do corpo, a respiração firme, mas não profunda. Eu conhecia aquele padrão. Ele estava como eu, refletindo sobre o que tinha acabado de acontecer.Eu queria dizer alguma coisa, qualquer coisa.Mas não sabia o quê.Meu peito pesou de repente.Não de emoção, de função.Era físico. Um incômodo que vinha de dentro, uma pressão que eu já reconhecia. Antes mesmo de o
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