Nem toda ausência faz barulho
SERENA ARAGÃO
Meu corpo ainda estava quente.
Não de febre, nem de cansaço. Era outra coisa. Uma espécie de eco. Como se o que tinha acontecido não tivesse terminado junto com o toque, com a respiração voltando ao normal, com o silêncio se acomodando no quarto.
Eu estava deitada de barriga para cima, sentindo o coração bater num ritmo estranho, não acelerado, mas atento. Como se eu tivesse sido acordada por dentro.
Eu não me sentia vazia, me sentia… mulher.
Inteira