Quando o futuro volta a respirar.SERENA ARAGÃONo terceiro dia, o campus já não parecia tão ameaçador. Ainda era grande, ainda era barulhento, ainda tinha gente demais e vozes demais, mas meu corpo começava a entender os caminhos, os horários, os prédios, os fluxos. Eu ainda me sentia deslocada, mas já não era como no primeiro dia, quando tudo parecia alto demais, rápido demais, vivo demais para alguém que tinha passado tanto tempo sobrevivendo em silêncio.Mesmo assim, eu senti o aperto no peito quando desci do carro.Não era mais medo puro. Era outra coisa. Era a sensação estranha de estar voltando para algo que sempre foi meu… e, ao mesmo tempo, de não saber mais exatamente quem eu era dentro disso.Caetano estacionou e ficou alguns segundos olhando ao redor antes de desligar o carro. Eu já conhecia aquele olhar. Não era curiosidade. Era cálculo. Ele não via estudantes, jardins, prédios. Ele via rotas, saídas, pontos cegos, distâncias, ângulos.— Eu vou com você até a coordenação.
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