Quando o destino começa a se mover antes de pedir permissãoSegunda-feira, por volta das oito da manhã, malas prontas, no hangar Caetano descia do carro com elas. O motor do avião tinha um som contínuo, grave, como se embalasse o mundo para longe. Lá embaixo, a cidade diminuía até virar um desenho sem importância. Lá dentro, o silêncio era outro tipo de altitude. Serena apertou o cinto na cintura pela segunda vez, mesmo sabendo que já estava firme. Era só um gesto para ocupar as mãos.Sophie dormia no colo dela, bochecha encostada no peito, boca entreaberta, respiração calma. O corpinho pequeno parecia ter entendido, sem drama, que existia um deslocamento, uma mudança, uma curva. Serena não. Serena ainda tentava organizar a própria cabeça como se fosse uma mala cheia demais.Caetano estava na poltrona ao lado, postura reta, camisa clara, relógio discreto, olhar voltado para a janela. Ele não precisava falar para ocupar espaço. O corpo dele ocupava. A presença dele decidia.Serena olh
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