A sobremesa foi servida, mas a energia na sala já tinha mudado completamente. A presença do Vasco absorvia o oxigénio pesado do protocolo, deixando o Francisco visivelmente esgotado. Assim que o café terminou, o patriarca pousou a chávena de porcelana com um suspiro que parecia conter todo o cansaço do mundo.— A tua chegada já nos deu sobressaltos suficientes por uma noite, Vasco. — disse o Francisco, levantando-se. Ele olhou para mim, com um aceno rígido, mas surpreendentemente desprovido da hostilidade da véspera. — Lya, vemo-nos amanhã. Leonor, acompanhas-me?A Leonor levantou-se, deu um beijo rápido no topo da cabeça do Vasco, que lhe sorriu com uma doçura rara e infantil, e seguiu o marido para fora da sala. Lourenzo desapertou o primeiro botão da camisa, recostando-se na cadeira. Ele parecia exausto, mas os seus olhos brilhavam com uma luz nova.— Precisamos de algo mais forte do que este vinho — murmurou ele, passando a mão pelos cabelos escuros. — Vasc
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