As luzes de Lisboa, vistas do 12.º andar da Villar Studio, pareciam uma rede de diamantes espalhados sobre veludo negro. No escritório, o silêncio era quase sólido, interrompido apenas pelo zumbido discreto do sistema de climatização. A maioria dos funcionários já tinha saído, deixando para trás a promessa de um dia encerrado. Caminhei até ao gabinete do Lourenzo. A porta de vidro estava entreaberta, deixando escapar uma nesga de luz âmbar. Antes de entrar, observei-o. Ele estava de pé, junto à imensa parede de vidro, com as costas voltadas para a porta. Tinha tirado o blazer e as mangas da camisa branca estavam dobradas até aos cotovelos, revelando antebraços fortes. Ele segurava a minha amostra de dourado-velho, movendo-a contra a luz.Bati levemente no vidro.— Entra, Lya. — Ele não se moveu, mas a sua voz atravessou a sala com uma precisão que me fez parar por um segundo. — Estava à tua espera.Aproximei-me da mesa de mármore negro e pousei a minha pasta, procurando o apoio
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