• ALICE • A máquina de café da copa dos funcionários emitiu um zumbido mecânico antes de cuspir o último jato de água escura para o meu copo de cartão. O cheiro a café torrado barato misturava-se com o ambiente medíocre e excessivamente iluminado. Eu detestava vir à copa, era um espaço desenhado para os funcionários comuns perderem tempo, mas precisava de cafeína e, acima de tudo, se havia lugar onde os ratos da agência gostavam de fofocar, era ali.Encostei-me ao balcão de granito, bebericando o líquido amargo e sem açúcar. A minha mão ainda tremia ligeiramente, um resquício da fúria que o Lourenzo me tinha provocado.A ideia de que o Lourenzo estava a gastar o tempo dele, o tempo que devia ser dedicado a mim e à construção do nosso império, com uma mulher qualquer, às escondidas, era como ácido a corroer-me o estômago. Quem quer que ela fosse, não passava de um penso rápido para o ego dele. Homens poderosos tinham essas fraquezas. Mas, no fim do dia, o Lourenzo teria
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