• LYA •O clique da fechadura quando o Lourenzo saiu do apartamento ecoou pela sala vazia.Continuei sentada no sofá de veludo escuro, com as pernas encolhidas contra o peito e uma mão pousada sobre a barriga. Respirei fundo, sentindo o ar entrar nos pulmões sem a resistência do pânico. O peso esmagador do segredo, que me tinha dobrado e levado o meu corpo ao limite da exaustão, tinha desaparecido. O Lourenzo sabia. Ele estava aqui. E, contra todos os meus medos irracionais, ele não fugiu, não me acusou de ser um fardo, nem me virou as costas.Os meus olhos pousaram no portátil, fechado milimetricamente sobre a mesa de centro de vidro. A lembrança da noite anterior ainda me causava arrepios, a tontura repentina, a visão a escurecer, o chão a ir de encontro ao meu rosto.Inclinei-me devagar, peguei no computador e abri-o, apoiando-o nas pernas. O ecrã iluminou-se, revelando as dezenas de notificações acumuladas. Ignorei os e-mails da Magnólia e abri a aplicação de
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