O ecrã do meu portátil refletia apenas o escuro do meu próprio pânico.Durante intermináveis segundos, o meu cérebro recusou-se pura e simplesmente a processar a realidade. O som daquele vómito rasgado e violento, o baque surdo do corpo da Lya a bater no chão e, por fim, o clique mecânico da chamada a cair continuavam a ecoar pelas paredes da minha sala de jantar.Fiquei petrificado, à espera de que a imagem dela voltasse a surgir a qualquer momento, a pedir desculpa pela quebra de ligação, com aquele sorriso cansado mas desafiador que eu tanto amava. Mas o ecrã continuou negro. E o silêncio do meu apartamento tornou-se subitamente ensurdecedor.Quando a paralisia cedeu, a onda de adrenalina que me atingiu foi tão violenta que atirei a cadeira para trás ao levantar-me. A madeira pesada tombou com estrondo contra o chão, mas eu nem olhei para trás.— Lya! — gritei para a sala vazia, a voz a rasgar-me a garganta, como se a força do meu grito pudesse atravessar qui
Ler mais