HELOÍSAO cheiro de laquê, maquiagem infantil e tecido novo se misturava no ar do camarim quando eu olhei o relógio pela milésima vez.15h58.— Calma, Heloísa, quem vai dançar é a Kitana, não você — murmurei pra mim mesma, rindo baixinho do meu próprio nervosismo.Mas a verdade? Eu estava quase tão ansiosa quanto ela.Kitana estava sentada na cadeirinha alta, os pezinhos balançando sem parar, a meia-calça branca já no lugar, a sainha de tule rosa armadinha ao redor dela como uma nuvem de algodão-doce.— Helô… — ela sussurrou, com os olhos arregalados pro espelho. — Eu tô com frio na barriga.Sorri, pegando o pincel de blush.— Isso não é frio na barriga, não. É borboleta fazendo festa aí dentro.— Tem muitas?— Ih, um monte! Umas cinquenta.Ela arregalou ainda mais os olhos.— CINQUENTA?!— Uhum. Mas elas ajudam a gente a voar no palco.Kitana fez uma carinha pensativa, como se estivesse negociando com as tais borboletas internas.— Tá… mas elas podiam voar devagar, né?Eu ri.— Combi
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