HELOÍSA Eu ainda sentia a ardência na palma da mão. O som do tapa parecia ecoar pelo corredor inteiro da casa, como se tivesse sido gravado nas paredes e ficado impregnada no ar. Meu peito subia e descia tamanha a eletricidade que corria por toda a extensão do meu corpo, o coração batendo descompassado, não só pela raiva, mas pelo choque de ter ido até o fim. Eu não era de perder o controle assim tão facilmente. Nunca fui. Mas Sabrina… ela tinha cruzado uma linha que ninguém jamais tinha ousado cruzar comigo. O silêncio pesado que se seguiu foi quebrado pela voz de Luiz Fernando. — Chega. — Ele disse, firme, cortante, como uma navalha bem afiada. Sabrina ainda estava com o rosto virado, a mão colada na face, os olhos marejados, mas cheios de ódio direcionados para mim , eu sei , se ela pudesse me mataria agora mesmo. Quando ela voltou o olhar para ele, parecia outra pessoa. Não a mulher arrogante e cheia de si de minutos atrás, mas alguém ferida no orgulho de um jeito profundo. —
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