O jato já estava pronto quando eles chegaram. Ana subiu os degraus com Kali no colo, sentindo o vento frio bater no rosto e trazer aquela sensação estranha de despedida antes mesmo da partida. O cheiro de combustível, metal e noite recente fazia tudo parecer provisório. Transitório. Ela entrou primeiro. Natan veio logo atrás, sem dizer nada. Desde que saíram da casa, ele não havia trocado uma única palavra com ela. Nem um pedido, nem uma orientação. Nada. Apenas aquela presença dura, fechada, caminhando à frente, como se ela fosse parte da bagagem, necessária, mas impessoal. Ana tentou não reparar. Tentou não notar a rigidez dos ombros dele. Tentou não perceber como ele respirava curto demais. Tentou não olhar para o rosto fechado, o maxilar tenso, os olhos que evitavam qualquer ponto onde ela pudesse estar. Mas era difícil ignorar alguém quando o silêncio gritava. Ela se sentou com Kali, organizou a manta, a mamadeira, os brinquedos pequenos. Fez tudo devagar, com cuidado e
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