A porta se abriu sem aviso. Não foi um movimento brusco, nem carregado de intenção aparente, mas, ainda assim, foi suficiente para alterar o ambiente. A presença de Natan entrou antes mesmo do som dos passos, ocupando o espaço com aquela naturalidade firme que não precisava de esforço para ser percebida. Helena foi a primeira a olhar. Depois, Ana. E foi ali, nesse pequeno intervalo de segundos, que tudo se reorganizou. Natan parou por um instante, avaliando a cena diante dele. A mãe acomodada com tranquilidade, o chá servido, a conversa em andamento… e Ana, ainda com a manta delicadamente apoiada entre as mãos, como se não tivesse encontrado o momento certo para soltá-la. O olhar dele passou por ela com atenção silenciosa, registrando, ajustando, como sempre fazia. E então atravessou o espaço. Sem pressa. Sem anúncio. Aproximou-se da mãe, cumprimentando-a com naturalidade, e então seguiu até o sofá. Com um movimento tranquilo, sentou-se ao lado de Ana. Não disse nada de imed
Ler mais