O carro saiu do hotel com a mesma discrição com que eles haviam chegado, mas o que existia ali dentro agora era completamente diferente. O silêncio não era desconfortável, nem vazio, era cheio. Cheio de tudo o que ainda estava sendo digerido, de tudo o que não tinha sido dito ali dentro daquele salão, de tudo o que, de alguma forma, ainda vibrava sob a pele. Ana manteve o olhar voltado para a janela por alguns minutos, observando a cidade passar em reflexos borrados, como se precisasse de um tempo para voltar ao próprio ritmo. Não era exatamente cansaço. Era intensidade demais acumulada em poucas horas. Natan não apressou o momento. Mas também não se ausentou. A mão dele encontrou a dela com naturalidade, firme, presente, como quem não pede espaço, ocupa. Quando ela virou o rosto, encontrou o olhar dele já ali, atento, direto, sem distração. — O que aconteceu? — ele perguntou, baixo. Ana soltou um pequeno suspiro, não de peso, mas de reorganização. — Sua… amiga — disse,
Ler mais