Já fazia alguns dias. Dias que, para Ana, pareciam todos iguais. Repouso, medicamentos, leitura, pequenas rotinas que se repetiam lentamente ao longo das horas. De vez em quando, Kali aparecia no quarto para uma visita rápida, trazendo consigo aquele tipo de energia caótica e alegre que só uma criança pequena parecia ter. Um pouco de televisão, geralmente algum drama coreano que ela dizia assistir apenas porque precisava fazer alguma coisa. E silêncio. Muito silêncio. De vez em quando ela descia até o jardim, andando devagar pelo gramado, respirando o ar fresco como se aquilo fosse uma pequena vitória. Mas quase sempre alguém aparecia em poucos minutos, a enfermeira, Dora ou algum dos funcionários, lembrando que os médicos tinham sido muito claros sobre o repouso. Então ela voltava para o quarto. Os dias se repetiam. As noites também. Natan aparecia todas as noites. Mas Ana nem sempre sabia. Na maioria das vezes ela já estava dormindo quando ele entrava. Ele se s
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