Estava terminando de revisar um contrato quando o envelope foi deixado sobre a minha mesa. Papel espesso, timbre elegante, meu nome escrito à mão com tinta azul-escura. Reconheci o remetente antes mesmo de abrir.Era um convite para o jantar beneficente anual promovido pelo Instituto Amaral, um dos eventos mais tradicionais do calendário empresarial da cidade. Presença confirmada de empresários, investidores, políticos, imprensa. Networking puro. Aparência, postura, alianças.E, como sempre, no rodapé: “Traje social completo. Acompanhante.”Suspirei.Eventos como aquele nunca eram apenas eventos. Eram vitrines. Cada detalhe observado, comentado, interpretado. E aparecer sozinho geraria perguntas. Muitas perguntas.Peguei o celular e liguei para Clara.Ela atendeu no terceiro toque.— O que foi, Augusto? — perguntou, divertida. — Você só me liga em horário comercial quando precisa de alguma coisa.— Ofendida e correta — respondi. — Recebi um convite para o jantar do Instituto Amaral. P
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