POV: Lavínia O elevador da cobertura abre. O silêncio do apartamento b**e nos meus ouvidos. Depois de cinco dias ouvindo bipes de monitores e rodinhas de macas no corredor do Sírio-Libanês, o zumbido do ar-condicionado na sala parecia música. Augusto caminha na frente, segurando o bebê-conforto com a rigidez de quem transporta uma ogiva nuclear destravada. Clara dorme, alheia ao fato de que o homem que a carrega domina o mercado financeiro, mas está suando frio com medo de tropeçar no tapete persa. Minha mãe vem logo atrás, carregando duas bolsas, a bolsa de fraldas e ditando ordens antes mesmo de passar da porta. — O carrinho fica na sala, a bolsa de higiene no trocador. Lavínia, direto pra cama. Você tá pálida, menina. Caminho devagar. Os pontos da laceração incomodam, o peito pesa, o corpo inteiro parece ter sido atropelado por um caminhão de carga. Mas eu não quero ir pra cama. Sigo o Augusto pelo corredor. Ele para na frente da porta que ficou trancada nos últimos doi
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