POV: LavíniaA sala de audiências da Justiça Federal em São Paulo é um teatro de madeira escura, ar-condicionado gélido e silêncio absoluto.Do meu lado: Augusto, eu, Lucas (como testemunha e delegado), Vicente e o Dr. Bittencourt.Do outro lado: A defesa. Três advogados caríssimos, liderados pelo Dr. Munhoz, o homem que me demitiu seis meses atrás.E no centro, na cadeira de rodas, Heitor Romano.Ele está interpretando o papel da sua vida. Cabeça baixa, mão trêmula, manta sobre os joelhos. O Grande Patriarca traído pelo filho e pela "aventureira".A Juíza Federal, Dra. Marta Siqueira, não parece impressionada com a performance. Ela é uma mulher de cinquenta anos, olhar afiado e fama de linha-dura.— Declaro aberta a audiência de instrução e julgamento — ela diz, golpeando o martelo levemente. — O réu é acusado de fraude processual, coação de testemunha, falsidade ideológica e gestão fraudulenta.A porta lateral abriu. Valdir foi o primeiro a entrar, os pulsos pesados pelas al
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