A sala de depoimento é cinza, fria e cheira a café requentado. Sento na cadeira de metal. Do outro lado da mesa, não tem um policial velho e cansado como eu imaginava. Tem ele. — Srta. Lavínia Duarte. — O homem lê meu nome na pasta. Levanta os olhos. Olhos escuros, atentos, inteligentes. Ele é jovem para o cargo, deve ter uns trinta e poucos anos. Barba cerrada, camisa preta com o distintivo da Polícia Federal no peito, mangas dobradas mostrando tatuagens desbotadas no antebraço. Ele não me olha com pena. Nem com julgamento. Ele me olha com... respeito. — Sou o Delegado Lucas Falcão. Responsável pela Operação Castelo de Areia. — Ele fecha a pasta. — Quero agradecer pessoalmente. O material que você entregou... é dinamite pura. — Eu só acendi o pavio, Delegado. Quem comprou a dinamite foi o Heitor Romano. Falcão sorri de canto. Um sorriso rápido, de quem gostou da resposta. — Gostei de você. Direta. Sem drama. — Ele se inclina pra frente. — Vou ser direto também. O advogado do
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