Acordo com o barulho.
Não é despertador. Não é vizinho gritando.
É helicóptero.
O som das hélices cortando o ar da Várzea Clara é tão incomum que, por um segundo, acho que ainda estou sonhando.
Abro os olhos. O relógio marca 06h05 da manhã.
Minha mãe já está na janela, com a cortina entreaberta.
— Lavínia... — A voz dela é um fio de tensão. — Vem ver.
Levanto. O chão frio arrepia meus pés. Vou até a janela.
Não é na nossa rua.
O helicóptero está pairando longe, na direção do Centro. Mas é um he