Segunda-feira, 16 de dezembro — 9h.Entro no escritório de Augusto com dois cafés.Ele pediu ontem à noite, quando saí do apartamento dele. "Amanhã a gente toma café juntos no trabalho. Como casal de verdade."Sorri lembrando.Mas quando abro a porta, ele está tenso.De costas pra mim. Telefone no ouvido. Voz baixa, controlada.— ...preciso de TUDO sobre ela. Passado, dívidas, ex-namorados, família... tudo. — Pausa. — Não, discreto. Ela não pode saber.Meu estômago congela.Ele desliga. Vira. Me vê.A expressão dele muda. Rápido demais.— Lavínia! — Sorri. Falso. — Oi, amor. Não te ouvi entrar.Coloco os cafés na mesa. Devagar.— Com quem você estava falando?— Assunto da empresa. — Ele pega um café. Bebe. Não me olha nos olhos.— Assunto da empresa que envolve... passado, dívidas, ex-namorados?Ele para. Xícara no ar.— Você ouviu?— Ouvi. — Cruzo os braços. — Sobre quem você está investigando, Augusto?Silêncio pesado.— É procedimento padrão. — Ele pousa a xícara. — Checagem de rot
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