A partida de Santo Alento não foi marcada por discursos inflamados ou cerimônias de despedida; foi um evento operado sob o manto de um silêncio pesado e claustrofóbico, como se o próprio ar da montanha estivesse retendo o fôlego diante da inevitabilidade do fim. Claire Thorne não permitiu que o seu olhar vacilasse pelo retrovisor enquanto a caminhonete antiga, uma F-1000 da década de 80 desprovida de qualquer componente eletrônico, chip de rastreamento ou sistema de injeção digital, descia as estradas de terra batida que serpenteavam a Serra do Espinhaço. Ela sentia o volante de baquelite vibrar contra as palmas das suas mãos, uma vibração mecânica e honesta que servia como um lembrete constante de que ela estava, finalmente, desconectada da rede que um dia a definira. Ao seu lado, Marcus operava um rádio de ondas curtas que parecia uma relíquia de guerra, sintonizando frequências analógicas com a precisão de um cirurgião, enquanto Lívia, no banco de trás, revisava mapas cartográficos
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