O mundo sem a Rede Thorne era, acima de tudo, um lugar barulhento e desordenado. Durante anos, Claire habitara um universo onde a informação era filtrada por algoritmos de elite, onde o perigo era detectado antes mesmo de se materializar e onde a sua vontade se traduzia em ações globais com a velocidade de um clique. Agora, o silêncio digital que ela mesma provocara ao destruir a Perséfone fora substituído pela cacofonia da realidade crua. Sem os sistemas de Claire para expor a corrupção em tempo real e sem a vigilância constante da Legião, os velhos vícios da humanidade — a ganância, o nepotismo e a sede de poder — voltaram à superfície com uma rapidez que beirava o obsceno. No entanto, para a mulher que agora vivia sob o nome de Ana numa pequena fazenda no interior de Minas Gerais, o maior desafio não era geopolítico; era, pela primeira vez em uma década, puramente físico.Claire sentia agora, em cada fibra do seu ser, o que chamava de "o peso da carne". Sem a proteção de segu
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