Abel Arruda O cronômetro digital, antes uma sentença de morte, agora piscava uma tela morta no chão. Não havia Isadora. Não havia Lion. Não havia Miguel. Apenas o silêncio pesado de um lugar que fora palco de um sequestro. Aproximei-me da área onde eles deveriam estar, a arma apontada para cada sombra, a mente tentando processar o vazio. Foi então que o vi, largado sobre o solo úmido e sujo de lama: o celular da Isadora. O meu coração deu um solavanco violento. Ela jamais deixaria esse aparelho para trás, a menos que tivesse sido uma última e desesperada tentativa de me passar uma mensagem. Com as mãos trêmulas, peguei o dispositivo. A tela estava intacta, e uma gravação aguardava, como se fosse um epitáfio de tudo o que eu amava. Apertei o "play". A voz dela preencheu a gruta, nítida, carregada de uma coragem que me fez querer destruir o mundo inteiro. “...eu vou com você. Abandonamos o Abel, abandonamos a Los Sombras. Só nós três.” Ouvi cada palavra. Ouvi a negociação
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