O céu de Blackwater estava tingido de um roxo doentio, como uma ferida aberta, quando o som de trovões distantes começou a ecoar. No entanto, não era uma tempestade de chuva que se aproximava, mas o rugido de dezenas de motores que não pertenciam aos Lobos de Couro. Helena estava na entrada da oficina de Dante, tendo acabado de confrontá-lo na biblioteca, quando o asfalto começou a vibrar sob seus pés.— Entre — ordenou Dante, sua voz não admitindo contestações. O tom era seco, desprovido da ternura que ele demonstrara momentos antes. — Agora, Helena. Vá para o escritório e não saia de lá.Antes que ela pudesse retrucar, o pátio da oficina foi invadido por uma horda de motocicletas cromadas e ruidosas. Eram os Garras de Ferro. Eles não vinham para conversar; vinham para uma declaração de guerra. Cerca de vinte homens, com jaquetas de brim encardidas e olhares injetados de fúria, circularam o local. O líder, um homem de ombros desproporcionais chamado Malphas, desceu de sua máquina com
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