Álvaro ainda mantinha a testa encostada à dela quando, com visível esforço, deu um passo atrás. Passou a mão pelos cabelos, respirando fundo, como quem tenta reorganizar os próprios impulsos.Um meio sorriso surgiu em seus lábios, daqueles que misturam desejo e prudência.— É melhor eu levar você para casa.Maria Clara compreendeu o que ele não disse. Ficar ali, sob o mesmo teto, depois daquele momento, seria uma tentação perigosa demais para ambos.Ela assentiu, ainda com as faces coradas.— Acho que sim…Ele ofereceu o braço, agora mais sereno, embora seus olhos ainda guardassem o brilho intenso de minutos antes. Desceram as escadas em silêncio, um silêncio diferente não constrangedor, mas carregado de tudo o que quase aconteceu.Na garagem, Durval já aguardava ao lado do carro, atento como sempre.— Pode ir para casa, Durval — disse Álvaro, firme, porém cordial. — Eu mesmo vou dirigir esta noite.O motorista hesitou por um segundo, surpreso.— Sim, senhor.Álvaro abriu a porta para
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