A madrugada passou devagar.Benjamin dormia pesado agora, respirando fundo, com o travesseiro apertado contra o peito. Eu quase não me mexia, com medo de acordá-lo. O quarto estava escuro demais para pensar em qualquer coisa além do som regular da respiração dele.Em algum momento, acabei dormindo também.Acordei com a luz fraca entrando pela janela e com um peso morno sobre o meu braço. Benjamin ainda estava ali. O cabelo bagunçado, o rosto tranquilo. Por alguns segundos, esqueci completamente onde estava.Até lembrar de tudo.Fiquei ali, sem me mover, observando. Aquela calma não era comum. Nem para ele. Nem para mim.— Tia Hana — ele murmurou, sem abrir os olhos. — Você ficou.— Fiquei.— Sabia.Ele virou um pouco, se ajeitando melhor, e voltou a dormir. Simples assim.Quando finalmente se levantou, foi direto ao banheiro, ainda sonolento. Eu me sentei na cama, sentindo um cansaço estranho, mas não ruim.Desci pouco depois.A casa já estava acordada. O cheiro de café outra vez. A r
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