VICTOR BALTIMOR.O som voltou outra vez, mais forte, mais próximo, rasgando o silêncio branco daquele inferno gelado. Não era o vento. Não era imaginação. Era um som mecânico, grave, contínuo, fazendo o ar vibrar ao nosso redor.— Você está ouvindo isso? — perguntei, com a voz falhando, sem ousar me mover, sem conseguir tirar os olhos do horizonte.Pablo já estava de pé, apoiando-se como podia, os olhos arregalados, o rosto sujo, barba por fazer, os olhos fundos pela exaustão. Por um segundo, achei que ele não responderia. Seus olhos estavam fixos no horizonte branco.— Estou… — respondeu, engolindo em seco. — Não é coisa da nossa cabeça, não é?O ruído cresceu, grave, ritmado. Inconfundível. Ficando cada vez mais claro. O coração começou a bater descompassado no meu peito, tão forte que parecia querer escapar. Minhas mãos tremiam, não sabia se de frio, de cansaço ou de esperança.— Não é coisa da nossa cabeça — falei, mais para mim do que para ele. — Não é.— Victor… se for o que eu
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