Continuação:Deitei-me, levando a mão ao ventre num gesto automático. — É só cansaço — sussurrei para mim mesma. Mas naquela noite, o sono não veio limpo. Quando finalmente adormeci, fui arrastada para um sonho que me apertou o peito. Eu estava em outro tempo. Outro lugar. A lembrança daquela noite voltou inteira. O quarto pouco iluminado, o silêncio pesado entre mim e meu cliente. A tensão no ar, densa, quase palpável. Lembrei-me da forma como ele me observava — não com pressa, não com vulgaridade — mas como se tentasse me decifrar. No sonho, eu sentia novamente o nervosismo, o coração acelerado, a estranha mistura de medo e curiosidade. A proximidade excessiva, o calor, a respiração próxima demais para ser ignorada. Nada era claro. Nada era direto. Era tudo sensação. O toque sugerido, nunca mostrado. A presença forte, dominando o espaço sem precisar de palavras. E aquele mesmo olhar… Acordei de repente, com o coração disparado. Sentei-me na cama, resp
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