Saulo Lucchese narrando O casamento é um espetáculo caro demais para algo que não existe. Luzes douradas, flores brancas importadas, convidados sorrindo como se celebrassem uma verdade. O sobrenome Lucchese ecoa em cada brinde, em cada cumprimento interesseiro. Ridículo. Estou de pé no altar, imóvel, enquanto Mariana surge no início do corredor. O vestido foi feito para impressionar — e impressiona. O corte perfeito, o tecido pesado, o brilho calculado para arrancar suspiros. Ela sabe entrar. Cada passo é ensaiado, cada olhar lançado na medida exata para ser desejada, invejada, admirada. Quando nossos olhos se encontram, percebo. Ela não me olha como uma noiva. Olha como quem vence. O sorriso dela é pequeno, contido, mas carregado de algo que não é amor. É posse. Decisão. Ambição. — Não — penso. — Você não entende nada. Enquanto o celebrante fala, minha mente está longe. O discurso sobre união, destino e futuro me soa vazio. Sinto o celular vibrar discretamen
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