A madrugada começou diferente.Não houve dor súbita nem alarme imediato. Foi um incômodo estranho, profundo, como se o corpo de Lia estivesse tentando avisá-la com cuidado. Ela se virou na cama devagar, respirou fundo, esperando passar.Não passou.A segunda contração veio mais clara. Ritmada. Inevitável.Lia fechou os olhos, contando o tempo como havia aprendido. Quando abriu, Dominic já estava sentado na beira da cama, alerta demais para alguém que dormia profundamente segundos antes.— É agora — ela disse, a voz calma demais para o que sentia.Dominic não perguntou. Não entrou em pânico. Apenas se levantou e começou a agir, como se o corpo tivesse entendido antes da mente.— Eu estou aqui — disse, firme. — Vamos com calma.Aria apareceu na porta do quarto, os olhos ainda sonolentos.— Ela vai nascer? — perguntou, num sussurro.Lia sorriu entre uma respiração e outra.— Vai — respondeu. — Hoje.Aria assentiu, séria, como se recebesse uma missão importante.— Eu vou esperar — disse.
Leer más