Lia não suspeitou no início.O atraso parecia banal. O cansaço também. A náusea leve vinha e ia, discreta demais para levantar alarmes imediatos. Ela atribuiu tudo ao estresse, às noites mal dormidas, à tensão constante que vinha carregando desde que a guerra silenciosa com Evelyn começara.Mas havia algo diferente.Um silêncio dentro do corpo que não combinava com o caos ao redor.Naquela manhã, Lia parou diante do espelho do banheiro por mais tempo do que o normal. Observou o próprio rosto, pálido, os olhos atentos demais. O coração batia num ritmo estranho, quase como se soubesse antes da mente.Ela comprou o teste sozinha.Sem dramatizar.Sem esperar nada.O banheiro estava silencioso quando ela fechou a porta. O mundo pareceu suspenso naquele intervalo curto, mínimo, que separa o antes do depois.Quando as duas linhas apareceram, nítidas demais para qualquer dúvida, Lia sentou-se no chão.Não chorou.Não sorriu.Levou a mão ao ventre ainda plano, sentindo um choque profundo atrav
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