Serena começou a perceber o mundo em fragmentos.Não eram imagens completas, nem sons definidos. Eram sensações. Calor, voz, cheiro. E, entre tudo isso, havia algo constante que a fazia se acalmar antes mesmo de entender o porquê.Aria.Lia percebeu numa manhã tranquila, quando Serena acordou inquieta, o corpo pequeno se movendo no berço como se procurasse algo que ainda não sabia nomear. Lia se aproximou devagar, pronta para pegá-la, mas Aria chegou primeiro.— Posso tentar? — perguntou, quase num sussurro.Lia assentiu.Aria colocou as mãos com cuidado, como se tivesse ensaiado aquele gesto a vida inteira. Não a pegou no colo. Apenas aproximou o rosto e falou baixo:— Sou eu. Está tudo bem.Serena parou de chorar.Não foi imediato, mas foi claro. O corpo relaxou, a respiração se ajeitou, os olhos se fecharam outra vez.Lia sentiu algo apertar dentro do peito.— Ela reconhece você — disse.Aria sorriu, um sorriso pequeno, mas cheio.— Eu sei — respondeu. — Ela sempre me escuta.A par
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