Juliana Bezerra Quando a porta se fechou, o silêncio caiu pesado sobre o quarto.Demorei alguns segundos para me mexer. Meu corpo ainda estava quente, o coração acelerado, a vergonha se espalhando devagar, como um veneno silencioso.Olhei para mim mesma.A camisola fina. Leve demais. Curta demais.— Idiota… murmurei, puxando o tecido para baixo, como se isso pudesse apagar o que tinha acontecido.Sentei na cama, abraçando os joelhos, sentindo o frio subir pela pele.A culpa veio antes mesmo do choro.Por que eu estava vestida assim?Por que não tranquei a porta?Por que deixei alguém me ver desse jeito?Fechei os olhos… e foi aí que o pesadelo voltou.Não era mais um quarto.Era a escola.Era o corredor estreito.O cheiro de álcool.A voz dele.— Você nunca vai se livrar de mim.Meu corpo tremeu inteiro.— Não… sussurrei, levando as mãos à cabeça. Não, não, não…Respirei fundo, tentando me puxar de volta para o presente.— Juliana, você está bem. falei para mim mesma, em voz baixa
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