Na manhã seguinte à nossa reconciliação, a casa parecia igual, mas ele, não. O sol entrava pelas mesmas janelas altas, o cheiro de café fresco invadia o corredor, as vozes das crianças ecoavam como sempre. Só Alessandro estava diferente. Mais fechado. Mais distante.Ele apareceu brevemente na cozinha, camisa impecável, cabelo ainda úmido do banho, mas com o olhar perdido em algum lugar além das paredes. Deu bom dia às crianças, beijou o topo da cabeça de Lorenzo e o rosto de Giulietta. Em mim, pousou apenas um olhar rápido, neutro demais para quem, horas antes, tinha chorado no meu colo e me pedido para voltar.— Vai jantar conosco hoje? — arrisquei, enquanto ele pegava uma caneca.— Tenho reuniões — respondeu seco. — O porto está um caos, e ainda não esqueci o que você fez ontem.As palavras vieram sem raiva explícita, mas carregadas de gelo. Doeu mais do que se ele tivesse gritado.— Já pedi desculpa — murmurei, tentando não soar magoada. — Só estava tentando dar um pouco de normali
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