A manhã seguinte nasceu com uma quietude enganosa. A casa parecia a mesma, os sons familiares voltando a ocupar seus espaços — o café sendo coado na cozinha, o tilintar suave de uma colher, o arrastar discreto de cadeiras sendo ajustadas. Mas Laena sentia, desde que abriu os olhos, que algo não tinha voltado ao lugar. Havia uma tensão diferente, não no ar, mas no corpo. Como se a noite anterior tivesse deixado um rastro que agora se manifestava em pequenos sinais.Ela encontrou Lorenzo no corredor, ainda de pijama, com o cabelo desarrumado e os olhos inchados de sono. O menino caminhava devagar, mais calado do que o normal, e quando viu Laena, se aproximou sem dizer nada e segurou a mão dela com firmeza, como se o toque fosse uma âncora.— Dormiu bem? — perguntou Laena, tentando soar leve.Lorenzo deu de ombros, sem encará-la. Ele não respondeu com palavras, mas o aperto nos dedos dela respondeu por ele.Laena se agachou, nivelando o olhar.— Teve pesadelo?Ele hesitou. Um segundo. Do
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