A casa estava quieta outra vez, mas não com a tensão da noite anterior. Era um silêncio diferente, mais profundo, quase cauteloso, como se cada parede soubesse que algo importante tinha sido deslocado.Lorenzo finalmente dormia com a respiração mais estável. Não completamente livre do que carregava, mas menos enrijecido. Menos defensivo. A conversa daquela manhã tinha aberto algo — e, ao mesmo tempo, fechado uma ferida que vinha sangrando por dentro.Laena deixou o quarto devagar, fechando a porta com cuidado. Encontrou Dante no escritório, parado diante da janela, olhando para o jardim como se tentasse encontrar ali uma resposta que nunca esteve do lado de fora.Ele não se virou quando ela entrou.— Ele está mais calmo — disse ela, aproximando-se.Dante assentiu, mas continuou olhando para frente.— Eu ouvi — respondeu ele, baixo.Havia algo diferente na voz dele. Não era rigidez. Era contenção no limite.Laena se aproximou mais um pouco, até ficar atrás dele. Por um instante, pensou
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