IsadoraO Instituto Horizonte cheirava a futuro. O cheiro de pó de gesso e verniz fresco era, para mim, o perfume mais caro do mundo. Eu caminhava pelo que seria a futura biblioteca, acompanhada por Mariana, Clara e o arquiteto, um homem entusiasmado chamado Márcio que não parava de gesticular sobre a "fluidez do espaço".Foi ali, entre uma explicação sobre iluminação zenital e a cor das estantes, que eu senti.Não foi um grito, foi um sussurro. Uma pontada surda no baixo ventre, como se o Arthur estivesse apenas se ajeitando para uma soneca. Eu parei por um segundo, a mão espalmada na parede ainda sem pintura. Respire, Isadora. É só o peso, pensei. A dor passou, deixando apenas um rastro de calor.Cinco minutos depois, enquanto Clara checava a altura das pias no banheiro infantil, o sussurro virou um aviso claro. Uma cólica que subiu como uma onda, apertando meus rins e me fazendo prender o fôlego. Eu me mantive firme. Não queria ser a "grávida frágil" que interrompe a obra por causa
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