O dia começou sem anúncios, e isso, por si só, já era um aviso. Elara percebeu assim que entrou no prédio: não havia urgência explícita, nem movimentação anormal, mas tudo parecia… contido demais. As pessoas falavam baixo, os olhares desviavam rápido, como se todos soubessem de algo que ainda não tinha sido dito em voz alta. Ela seguiu até sua mesa mantendo o ritmo firme. Não permitiria que a expectativa alheia ditasse sua postura. A primeira reunião foi técnica, objetiva, sem desvios. A segunda, estratégica, carregada de entrelinhas. Em ambas, Elara conduziu com precisão — mas sentia as perguntas que não vinham, as pausas calculadas, os silêncios que testavam sua reação mais do que qualquer argumento direto. No intervalo entre compromissos, foi até a janela do corredor lateral. Precisava de um ponto fixo, algo concreto para organizar o pensamento. A cidade lá embaixo seguia em movimento constante, alheia às disputas sutis
Ler mais