O quarto simples da vila parecia pequeno demais para conter tudo o que tinha ficado atravessado entre eles, as paredes claras, a colcha de tecido gasto, a janela estreita deixando entrar o calor do fim de tarde e o barulho distante de gente voltando do trabalho. Manuela fechou a porta atrás de si com cuidado, não porque temesse ser ouvida, mas porque precisava que aquele espaço fosse deles, sem interferência, sem testemunhas, sem a sensação de que alguém podia entrar a qualquer momento para interromper o que não cabia mais ser interrompido. Luca ficou perto da mesa, de pé, com as mãos apoiadas na madeira como se precisasse de alguma coisa firme para não avançar no impulso, o rosto ainda marcado pela tensão que carregara desde que pisou na delegacia e a viu enfrentando Carlos sem tremer, como se o próprio corpo dela tivesse aprendido a não obedecer mais ao medo.Manuela respirou fundo, tirou o cabelo do rosto, e o gesto era simples, doméstico, mas nele havia uma decisão, o tipo de deci
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