Helena Evelyn Resolvi voltar pra pista. Dançar era melhor do que ficar parada, remoendo humilhação.Desci devagar, pisando com cuidado pra não cair de novo. Entrei no meio da multidão, deixei o corpo seguir o ritmo, os movimentos mais mecânicos do que empolgados.Foi aí que senti.Mãos.Mãos que não eram minhas, nem de ninguém que eu conhecia, escorregando abusadas pela minha cintura, descendo pros meus quadris, colando meu corpo em outro.Um homem se encostou por trás de mim, grudado, o cheiro forte de bebida saindo pela boca dele. Ele dizia alguma coisa no meu ouvido, em inglês embolado, que eu não entendia. Me virei de lado pra sair, mas ele apertou mais.Foi aí que senti.O volume duro encostando em mim.Meu estômago virou.— Sai. — rosnei, empurrando o peito dele com a mão.Ele riu. Achou que era parte do jogo.Não era. Nunca foi.Quando ele tentou me puxar de volta, fiz o que aprendi na roça, na lavoura, na vida.Acerte o ponto certo e o gigante cai.Levantei o joelho com força
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