Rafael acordou primeiro.Por alguns segundos permaneceu de olhos abertos no escuro suave do quarto, ouvindo apenas o som baixo do vento do lado de fora e a respiração tranquila de Valentina ao lado dele.Ela ainda dormia.O rosto parcialmente afundado no travesseiro, o cabelo espalhado, uma das mãos descansando perto do peito como se até dormindo precisasse proteger alguma coisa dentro de si.Rafael ficou observando.Havia uma calma estranha dentro dele. Estranha porque ele não estava acostumado a ela. Estranha porque, durante muitos anos, tudo o que existiu ali foi peso, culpa, cálculo, raiva.Agora não.Agora o peito estava menos duro.Menos cheio de ferrugem.Ele respirou fundo, passou a mão pelos cabelos e se sentou devagar na cama, tomando cuidado para não acordá-la.Vestiu apenas a calça, calçou as meias e saiu do quarto em silêncio.A casa ainda estava quieta.A neve do lado de fora parecia deixar o mundo inteiro mais lento, mais abafado, mais íntimo.Rafael foi até a cozinha e
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