Valentina acordou com uma sensação estranha.Boa.O corpo ainda morno, a pele com aquela memória discreta da noite anterior, e a cabeça… menos pesada do que nos últimos dias. Como se, pela primeira vez em muito tempo, o sono tivesse sido sono mesmo — não fuga.Ela piscou devagar, sentindo a luz entrando pelas cortinas. A claridade já estava mais alta do que o normal.Tarde.Valentina virou o rosto no travesseiro e ficou um segundo parada, como quem procura no quarto o motivo da paz.E encontrou.Rafael estava na poltrona, de pernas cruzadas, notebook no colo, camisa branca aberta no primeiro botão e o olhar focado na tela com aquela calma cirúrgica de quem transforma o mundo em planilha.Só que… quando ele percebeu o movimento dela, ergueu o olhar.E sorriu.Não foi um sorriso grande.Foi aquele sorriso mínimo, raro, perigoso — o tipo de sorriso que só existe quando ele está genuinamente satisfeito com alguma coisa.— Bom dia. — a voz dele saiu baixa, rouca, como se ainda tivesse um p
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