O quarto parecia limpo demais para o tipo de dor que existia dentro dele.Era grande, com luz suave, cheiro de antisséptico e conforto caro. Um conforto que, para muita gente, significava “segurança”. Mas, para Valentina, naquela manhã, significava outra coisa:um lugar onde o sofrimento não combinava com a decoração.A mulher na cama ainda dormia — ou tentava dormir — enquanto o soro escorria em gotas lentas pelo tubo transparente. O rosto estava pálido, a boca levemente entreaberta, e o peito subia e descia num ritmo que parecia frágil demais para ser real.Bianca estava sentada numa poltrona ao lado, os braços cruzados, postura firme… mas os olhos não paravam quietos. O tipo de atenção que não era curiosidade.Era vigilância.Valentina ficou de pé perto da cama por mais alguns segundos, como se o próprio corpo se recusasse a relaxar. Ela havia visto muita coisa na vida — tribunais, reuniões, bastidores de gente poderosa — mas o que tinha presenciado no estacionamento…Aquilo não er
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