Antes, a sala de refeições era preenchida por risos e conversas leves, pequenos momentos que pareciam insignificantes na altura, mas que agora faziam falta de uma forma quase insuportável. Agora, tudo o que restava era silêncio. Um silêncio pesado, que parecia infiltrar-se nas paredes, nos móveis, na própria respiração. Darya estava sentada à mesa, imóvel, o olhar perdido no prato intocado. A comida arrefecera há muito, mas ela mal se apercebera. O estômago doía-lhe, não de fome, mas de um vazio estranho, difícil de explicar. Por que razão não aceitara o divórcio logo? A pergunta voltava sempre, como um eco insistente. Talvez porque ainda acreditava. Talvez porque desistir tornava tudo… definitivo. Mas aquilo? Aquilo não era viver. Seria mesmo isto lutar por amor? Permanecer ao lado de alguém que já não a queria da mesma forma? Engoliu em seco, afastando o prato com um gesto lento.Nos últimos dias, comer tornara-se um esforço. Tudo lhe sabia a nada. O corpo começava a dar sinais de
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