Sara Moratti A porta da minha sala estava entreaberta, um hábito que eu cultivava para parecer acessível, mas que, na verdade, servia apenas para monitorar o ritmo da Holding sem precisar me envolver no ruído. No entanto, hoje, aquele pequeno vão na madeira era o meu visor para o único ponto do escritório que realmente importava: a mesa de Gabriel Ventura.Eu ainda sentia o peso do meu pai no meu ombro da noite anterior, o cheiro de lavanda e madeira da biblioteca, e a promessa silenciosa de que eu buscaria o que era "digno". Mas, acima de tudo, eu sentia o eco das mãos de Gabriel. Eu mal tinha dormido. Passei a noite revisando cada segundo do nosso jantar, cada palavra dele, tentando entender como eu, a mestre da comunicação, tinha ficado sem vocabulário diante de um homem que não precisava de títulos para me dominar.Quando ele bateu na porta, meu coração deu um solavanco que desestabilizou toda a minha postura profissional.— Com licença, Sara. Tenho um relatório... ou melhor, uma
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