Sérgio MorattiO caminho até a escola do Oliver foi, talvez, a jornada mais curta e, ao mesmo tempo, a mais significativa que já fiz. Eu não estava em um jato executivo cruzando o Atlântico, nem dirigindo meu esportivo em alta velocidade para fugir de uma reunião de diretoria. Eu estava em um utilitário familiar, sentindo o peso do olhar de Tessa ao meu lado e ouvindo o balbucio entusiasmado do meu filho sobre o "foguete de areia" que ele planejava construir no parquinho.Quando paramos em frente à escola Pequeno Aprendiz, senti um nó se formar na minha garganta. Eu desci, abri a porta para o Oliver e o peguei no colo. Ele estava com sua mochila de astronauta, os olhos brilhando de antecipação. Mas, antes de atravessar o portão, ele parou. Seus bracinhos se apertaram ao redor do meu pescoço e ele olhou diretamente nos meus olhos, com aquela seriedade que só as crianças possuem, uma pureza que desarma qualquer firewall de cinismo que eu tenha construído ao longo dos anos.— Papai... —
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